
As Sessões Continuam
No dia 18 de abril, as atividades da 62ª Assembleia Geral da CNBB prosseguem no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, logo após a celebração da Santa Missa no Santuário Nacional de Aparecida.
Reflexões sobre a Análise de Conjuntura Social
No dia anterior, 17 de abril, os bispos se reuniram para discutir a análise do cenário social e eclesial contemporâneo. Esse momento de reflexão foi fundamental para entender os desafios que a Igreja enfrenta atualmente no Brasil. A análise foi liderada por dom Francisco Lima Soares, bispo de Carolina (MA), que enfatizou a importância de se ouvir atentamente, especialmente em tempos de incerteza e conflitos.
Ele alertou que a situação atual não pode ser vista de maneira isolada, pois problemas como guerras, disputas de poder, a erosão da democracia, crises ambientais e econômicas estão profundamente conectados.

Evitar Alarmismos e Ingenuidades
Dom Francisco destacou que o objetivo da análise é evitar extremos: o alarmismo, que pode causar paralisia, e a ingenuidade, que pode desarmar ações necessárias. A apresentação inovadora em formato de vídeo buscou fornecer aos bispos elementos para uma compreensão mais profunda da realidade sem substituir o juízo pastoral individual.
Temas Abordados
Durante a análise, foram discutidos diversos tópicos importantes, incluindo:
- Cenário Internacional: enfocado a guerra entre Estados Unidos e Irã, a crise venezuelana e a luta pela hegemonia global.
- A Economia Global: focando nas questões do petróleo e do dólar, além do papel da América Latina no cenário geopolítico.
- Desafios no Brasil: incluindo o desgaste da democracia e as dificuldades econômicas, que embora consideradas resilientes, trazem riscos.
Análise de Conjuntura Eclesial
Na sequência, dom Joel Portella, bispo de Petrópolis (RJ), conduziu uma análise sobre a situação atual do ethos religioso no Brasil, intitulada “Evangelizar em tempos de pós-cristandade”. A discussão foi baseada nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
Dom Joel destacou que a sociedade brasileira se tornou mais plural, mantendo-se religiosa, mas apresentando identidades mais fluidas e vínculos mais frágeis, refletindo uma mudança de um contexto de cristandade para um de pós-cristandade.
Desafios Apresentados
Os principais desafios relevantes para a evangelização foram mencionados como as chamadas “policrises”, que impactam questões de linguagem, vínculos, referências e sentido de pertencimento. O aumento de pessoas que acreditam, mas não se comprometem com a vida comunitária, é um fenômeno crescente que requer atenção.
Ação Evangelizadora
Em resposta a essa realidade, foram propostas ações que valorizem o dom, a fraternidade e a solidariedade como os pilares da evangelização. Além disso, a sinodalidade e a atenção às separações nas relações eclesiais e sociais foram considerados aspectos importantes a serem trabalhados.
Sinodalidade na Assembleia
Um tema chave da Assembleia Geral é a sinodalidade. Os bispos discutem como implementar na prática os princípios do Sínodo sobre a Sinodalidade até 2028. O cardeal arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, ressaltou que a sinodalidade já é uma prática na Igreja no Brasil, refletindo uma tradição que enfatiza a escuta e o diálogo.
Dom Antônio Ederaldo de Santana, bispo de Irecê (BA), complementou que a sinodalidade é um processo contínuo que favorece a comunhão e que deve se renovar constantemente. Ele destacou a importância das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora como um resultado desse processo sinodal.
DGAE e Sinodalidade
Dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS), reafirmou que as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora são fruto de um extenso processo sinodal que começou em 2022. Ele destacou que a sinodalidade é um processo de caminhada coletiva, que já está em prática há tempos.
Oração pela Paz
Os bispos, em espírito de comunhão global, participaram de uma Adoração Eucarística no Santuário Nacional, em que depositaram suas súplicas por paz, pelas famílias e pelos povos afetados pela violência.
Oração pela Paz:
“Senhor da vida, que nos criastes para a comunhão, não para a guerra; para a fraternidade, não para a destruição. Abençoe nossas ações e ilumine nossos líderes para que optem sempre pelo caminho do diálogo e da construção da paz.”
“Derramai sobre nós a sabedoria necessária, para que possamos ser instrumentos de reconciliação e amor dentro de nossas comunidades.”
